Grandjean e Perreau (2012) – uma vida natural em primeira pessoa
Data: 2025-03-23 08:31
(AGLP)
A suspensão da atitude natural da consciência, suspensão que também é a abertura temática do campo de seus vividos puros, ou seja, da subjetividade transcendental, afeta uma consciência que existe desde o início em primeira pessoa. A vida natural da consciência é a de “alguém” que se apreende como “Eu” 1), realizando uma experiência constantemente feita em primeira pessoa 2), no curso de uma vida que se apresenta a ele como sua 3). Assim, os diversos atos dessa consciência pertencem ao cogito 4), entendido no sentido amplo que Descartes lhe dá na segunda das Meditações 5), sobre o qual Husserl escreve que denota “a consciência entendida em sentido forte e que se apresenta desde o início” 6): «“Eu percebo, Eu me lembro, Eu imagino, Eu julgo, sinto, desejo, quero”, e da mesma forma todos os vividos egológicos semelhantes, em suas inúmeras configurações específicas e fluentes» 7). A própria matéria do ato fenomenológico primordial se enuncia, portanto, como: cogito. A consciência, que é um conjunto fluente de vividos 8), é também consciência desses vividos como tantos “Eu vivo”.
