Data: 2025-03-11 10:33
A mensagem filosófica e política de sua réplica direcionada a Eichmann (e aos juízes) é a de que devemos ter clareza de que ninguém tem o direito de escolher com quem coabitar a Terra ou o mundo (Arendt mistura o sentido dessa distinção heideggeriana o tempo todo, sugerindo que não existe Terra sem seus habitantes)1). A coabitação com outros que não escolhemos é, de fato, uma característica permanente da condição humana. Exercer o direito de decidir com quem coabitar a Terra é recorrer a uma prerrogativa genocida; aparentemente, a pena de morte é justificada somente para quem implementou o genocídio. Não recebemos nessas páginas algo que explique por que essa pena é a apropriada, em vez de alguma outra forma de punição, embora saibamos que a propriedade da pena de morte foi discutida na época (Buber e outros eram contra)2)
(BUTLER, J. Caminhos divergentes: judaicidade e crítica do sionismo. São Paulo: Boitempo, 2017)